Mostrar mensagens com a etiqueta Daniel Faria. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Daniel Faria. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Homens que são como lugares

Waiting - Yalçin Varnali

Homens que são como lugares mal situados
Homens que são como casas saqueadas
Que são como sítios fora dos mapas
Como pedras fora do chão
Como crianças órfãs
Homens sem fuso horário
Homens agitados sem bússola onde repousem

Homens que são como fronteiras invadidas
Que são como caminhos barricados
Homens que querem passar pelos atalhos sufocados
Homens sulfatados por todos os destinos
Desempregados das suas vidas

Homens que são como a negação das estratégias
Que são como os esconderijos dos contrabandistas
Homens encarcerados abrindo-se com facas

Homens que são como danos irreparáveis
Homens que são sobreviventes vivos
Homens que são como sítios desviados do lugar

[Daniel Faria]

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Caminho sem pés e sem sonhos

Caminho sem pés e sem sonhos
só com a respiração e a cadência
da muda passagem dos sopros
caminho como um remo que se afunda.

os redemoinhos sorvem as nuvens e os peixes
para que a elevação e a profundidade se conjuguem.
avanço sem jugo e ando longe

de caminhar sobre as águas do céu.


[Daniel Faria]

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Há uma Mulher a Morrer Sentada

Há uma Mulher a Morrer Sentada

Há uma mulher a morrer sentada
Uma planta depois de muito tempo
Dorme sossegadamente
Como cisne que se prepara para cantar

Ela está sentada à janela. Sei que nunca
Mais se levantará para abri-la
Porque está sentada do lado de fora
E nenhum de nós pode trazê-la para dentro

Ela é tão bonita ao relento inesgotável

É tão leve como um cisne em pensamento
e está sobre as águas
É um nenúfar, é um fluir já anterior ao tempo

Sei que não posso chamá-la das margens

[Daniel Faria]