Acontece que me canso de meus pés e das minhas unhas,
do meu cabelo e até da minha sombra…
Acontece que me canso de ser homem.
Todavia, seria delicioso
assustar um notário com um lírio cortado
ou matar uma freira com um soco na orelha.
Seria belo ir pelas ruas com uma faca verde
e aos gritos até morrer de frio.
Passeio calmamente, com olhos, com sapatos, com fúria e esquecimento, passo, atravesso escritórios e lojas ortopédicas e pátios onde há roupa pendurada num arame: cuecas, toalhas e camisas que choram....
Se não matas a saudade Quando morres de vontade De pôr à saudade fim É talvez porque preferes Ter da saudade o que queres E não me pedes a mim.
A saudade em que me deixas É penhor das tuas queixas Por não dizeres a verdade Bastava que me pedisses De cada vez que me visses O que pedes à saudade.
O que dás, se me não vês, Não consigo que me dês Por timidez ou vaidade E a saudade que vais tendo Com ela vives, morrendo P’ra me matares de saudade.
Talvez seja o que tu queres E é por isso que preferes A saudade em vez de mim Morrendo os dois de saudade Temos toda a eternidade P’ra pôr à saudade fim
Quero apenas cinco coisas.. Primeiro é o amor sem fim A segunda é ver o outono A terceira é o grave inverno Em quarto lugar o verão A quinta coisa, são os teus olhos. Não quero dormir, sem os teus olhos. Não quero ser... sem que me olhes. Abro mão da primavera...