domingo, 19 de junho de 2011

Morrer de amor

Morrer de amor
ao pé da tua boca

Desfalecer
à pele
do sorriso

Sufocar
de prazer
com o teu corpo

Trocar tudo por ti
se for preciso

[Maria Teresa Horta]

sábado, 18 de junho de 2011

Compreensão da árvore

A tua voz edifica-me sílaba a sílaba
e é árvore desde as raízes aos ramos
Cantas em mim a primavera breve tempo
e depois os pássaros irão
povoar de ti novas solidões
E eu sentirei na fronte permanentemente
o sudário levemente branco do teu grande silêncio
oh canção oh país oh cidade sonhada
dominicalmente aberta ao mar que por fim pousas
na fímbria desta tua superfície.

[Ruy Belo]

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Nesta última tarde em que respiro


Nesta última tarde em que respiro
A justa luz que nasce das palavras
E no largo horizonte se dissipa
Quantos segredos únicos, precisos
E que altiva promessa fica ardendo
Na ausência interminável do teu rosto.
Pois não posso dizer sequer que te amei nunca
Senão em cada gesto e pensamento
E dentro destes vagos vãos poemas
E já todos me ensinam em linguagem simples
Que somos mera fábula, obscuramente
Inventada na rima de um qualquer
Cantor sem voz batendo no teclado
Desta falta de tempo, sorte e jeito
Se faz noutro futuro o nosso encontro.


[António Franco Alexandre]

LUSITÂNIA

Os que avançam de frente para o mar
e nele enterram como uma aguda faca
a proa negra dos seus barcos
vivem de pouco pão e de luar




[Sophia de Mello Breyner Andresen]