domingo, 13 de novembro de 2011

Santo Agostinho


"Ter fé, é assinar uma folha em branco e deixar que Deus nela escreva o que quiser. “
 [Santo Agostinho]

 Aurélio Agostinho, conhecido como Santo Agostinho
 (Tagaste, 13 de novembro de 354 - Hipona, 28 de agosto de 430)
 Santo Agostinho, foi um bispo, escritor, teólogo, filósofo e é um Padre latino e Doutor da Igreja Católica.

sábado, 12 de novembro de 2011

OS MEUS BEIJOS


Na nocturna solidão
Meus beijos de longe vão
Cair mortos a teus pés
Vão no luar irmanados
Correndo loucos, coitados
À noite de lés a lés.

Na noite sonho liberto
Sinto talvez mais perto
O calor do teu olhar
E a minha canção vadia
Com a noite magra e fria
Sem te poder encontrar.

Quando pela madrugada
Vem a verdade orvalhada
E a fria realidade
Tudo então desaparece
E do que a luz esvanece
Fica somente a saudade.

                 [ Manuel de Andrade]

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

É dia de São Martinho


Põe-se na brasa o chouriço
Há vinho novo a provar
Há burburinho castiço
Cavalos a relinchar.

Tipoias e boleeiros
E  as carroças do povinho
Milordes e cavaleiros
É dia de São Martinho

Na  Chamusca, de manhã
Há  grandiosa corrida
E  à tarde na Golegã
É  a festa mais garrida.

Cavalos a relinchar
Fadistas cantarolando
A festa vai começar
O povinho vai andando.

Os breques aos solavancos
Cavalos à desfilada
não faltam os  Saltibancos
Para animar a toirada.

Manhã do melhor ensejo
À tarde prova-se o vinho
Oh povo do Ribatejo
É dia de São Martinho!

[Manuel de Andrade]

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Angústia


 Será possível
 que ela me faça perdoar
 as ambições continuamente esmagadas
que um final feliz compense os anos de indigência
 que um dia de sucesso adormeça
 sobre o vexame da nossa fatal incompetência.

(Ó aplausos! diamante!  Amor! força!
Maiores do que glórias e alegrias!
 De qualquer jeito, por toda a parte
demónio, deus ,Juventude deste ser: eu!)

Que os acidentes de feitiços científicos
 e os movimentos de fraternidade social
 sejam queridos como a restituição progressiva
 da sinceridade primeira?...

Mas a Vampira, que nos faz gentis
 manda-nos divertir com o que ela deixa
 ou então que fiquemos mais malandros.
Rolar até ferir, pelo ar e mar exaustos
 até os suplícios, pelo silêncio do ar
 e das águas mortais
 até as torturas que riem
 no seu silêncio atrozmente encrespado.


[Arthur Rimbaud]



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Festa do Silêncio

 
Escuto na palavra
a festa do silêncio.
Tudo está no seu sítio.
As aparências apagaram-se.
As coisas vacilam
 tão próximas de si mesmas.
Concentram-se
dilatam-se as ondas silenciosas.
É o vazio ou o cimo?
É um pomar de espuma.

Uma criança brinca nas dunas
 o tempo acaricia, o ar prolonga.
 A brancura é o caminho.
Surpresa e não surpresa:
a simples respiração.
Relações, variações, nada mais.
 Nada se cria e vimos.
Algo inunda, incendeia, recomeça.

Nada é inacessível
no silêncio ou no poema.
É aqui a abóbada transparente
 o vento principia.
No centro do dia
 há uma fonte de água clara.
Se digo árvore
 a árvore em mim respira.
Vivo na delícia nua da inocência aberta.

[António Ramos Rosa]

                                                         

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Se é possível

Se é possível conservar a juventude
Respirando abraçado a um marco de correio
Se a dentadura postiça se voltou
contra a pobre senhora e a mordeu
Deixando-a em estado grave
Se ao descer do avião
 a Duquesa do Quente
Pôs marfim a sorrir
Se o Baú-Cheio
 tem acções nas minas de esterco
Se na América
 um jovem de cem anos
Veio de longe ver o Presidente
A cavalo na mãe.
Se um bode recebe o próprio peso em aspirina
E a oferece aos hospitais do seu país
Se o engenheiro sempre não era engenheiro
E a rapariga ficou com uma engenhoca nos braços
Se reentrante,pretuberante,perturbante
Lola domina ainda os portugueses
Se o Jorge(o "ponto" do Jorge!)
tentou beber naquela noite
O presunto de Chaves por uma palhinha
E o Eduardo não lhe ficou atrás
Ao saír com a lagosta pela trela
Se "ninguém me ama porque tenho mau hálito
E reviro os olhos como uma parva"
Se Mimi Travessuras já não vem a Lisboa
Cantar com o Alberto...

...Acaso o nosso destino,tac! vai mudar?

[Alexandre O'Neill]

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Retrato de Mulher Triste

 Vestiu-se para um baile que não há.
Sentou-se com suas últimas jóias.
E olha para o lado, imóvel.

Está vendo os salões que se acabaram
embala-se em valsas que não dançou
levemente sorri para um homem.
O homem que não existiu.

Se alguém lhe disser que sonha
levantará com desdém o arco das sobrancelhas
Pois jamais se viveu com tanta plenitude.

Mas para falar de sua vida
tem de abaixar as quase infantis pestanas
e esperar que se apaguem duas infinitas lágrimas.

[Cecília Meireles]

Cecília nasceu há 110 anos – 7 de Novembro de 1901 / 9 de Novembro de 1964

domingo, 6 de novembro de 2011

Como está sereno o Céu


Como está sereno o Céu
como sobe mansamente
a Lua resplandecente
e esclarece este jardim!

 Os ventos adormeceram
das frescas águas do rio
interrompe o múrmurio
de longe o som de um clarim.

 Acordam minhas ideias
que abrangem a Natureza
e esta nocturna beleza
vem meu estro incendiar.

 Mas se à lira lanço a mão
apagadas esperanças
me apontam cruéis lembranças
e choro em vez de cantar.

[ Marquesa de Alorna]

D. Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre, Marquesa de Alorna (1750-1839) nasceu em Lisboa. Tendo o seu pai sido preso, acusado de participar no atentado ao rei D. José, Leonor, de oito anos, entrou com sua irmã para o convento de Chelas, vindo somente a sair após a morte do Marquês de Pombal. Casou com o Conde de Oeynhausen e viajou por Viena, Berlim e Londres. Enviuvou aos 43 anos de idade, vivendo com algumas dificuldades económicas, dificuldades estas que não a impediram de se dedicar à literatura. Adoptou na Arcádia o nome de Alcipe. Traduziu a Arte Poética de Horácio e o Ensaio sobre a Crítica de Pope. É considerada uma poetisa pré-romântica. As suas obras foram publicadas em 1844 em seis volumes com o título genérico de Obras Poéticas.