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sábado, 16 de junho de 2012

FADO

Música triste
desenganado
canto nocturno
a pouco e pouco
vai penetrando
meu coração

Nocturna prece
ou pesadelo
não sei que sombra
aquele canto
em mim deixou.

Febre ou cansaço?
Não sei! Nem quero.
lúgubre pranto
de roucas vozes
não tem beleza
só emoção.

É como um eco
de noites mortas
de vidas gastas
ao Deus dará.

Mas eu o recebo
dentro de mim.
Entendo. Choro.
Eu o recebo
Como um irmão.

[Adolfo Casais Monteiro]

domingo, 28 de agosto de 2011

Balanço

Afinal, toda a minha poesia era verdade...
A noite é infindável  e os dias
são a mesma vastidão de carne apodrecida
morrendo sem saber de que morria.
Os rios são os mesmos, ou as ruas
que só levam lá de onde não saí.
O silêncio é sempre a única resposta.

Se não pedi, que haviam de me dar?

[Adolfo Casais Monteiro]