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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Já lentamente sofro a tua água, o sopro

Já lentamente sofro a tua água
 o sopro da memória nas colinas.
deste-me um corpo
 a casa onde acordar, o vento  e a terra
 e a paz desconhecida.
Nesta cave de pele te implorei os dias
o óleo da manhã, nas mãos desertas.
A cada instante me devora o gume
embotado da tua luz sonora.

afasta do meu rosto
 a tua vã promessa.
Deixa que seja brando
 o sono sem lembrança
 um chão de terra nua.
Do teu jardim de chamas
… me despeço.

[António Franco Alexandre]

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Nesta última tarde em que respiro


Nesta última tarde em que respiro
A justa luz que nasce das palavras
E no largo horizonte se dissipa
Quantos segredos únicos, precisos
E que altiva promessa fica ardendo
Na ausência interminável do teu rosto.
Pois não posso dizer sequer que te amei nunca
Senão em cada gesto e pensamento
E dentro destes vagos vãos poemas
E já todos me ensinam em linguagem simples
Que somos mera fábula, obscuramente
Inventada na rima de um qualquer
Cantor sem voz batendo no teclado
Desta falta de tempo, sorte e jeito
Se faz noutro futuro o nosso encontro.


[António Franco Alexandre]