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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Soneto das Sombras e dos Passos

Soneto das Sombras e dos Passos

                                                                                   
A sombra do teu vulto me entristece
Segue os meus passos, cresce, se agiganta
O menino que em mim por ti se encanta
Soluça no meu peito que envelhece.

A neve que o cabelo te embranquece
Agora em meu cabelo desce tanta
Que a sombra do teu vulto, avô, se espanta
Desta sombra que à tua se parece.

E seguimos, as mãos entrelaçadas
As duas sombras, pela vida atadas
Embora pela morte divididas.

A sombra do teu vulto me abre os braços
Mas eu, avô, sou eu quem segue os passos
Das minhas gentes mortas e queridas.

[Aramis Ribeiro Costa]

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Soneto do Amor Indefinido

Soneto do Amor Indefinido

                                                                                  
Amor não se define, é mágica e loucura
Encontro e desencontro e encanto conquistado
É cegueira total e olhar que tudo apura
E tem em tal contraste o fogo renovado.

Indefinido amor, impulso incontrolado
Que se refaz de espera e tudo crê e jura
Que arde e consome e mata o próprio ser amado
Amor que se acomoda, amor que se aventura.

Amor que nasce morto e ainda assim existe
Amor que se desgasta em vão e se maltrata
Amor que tudo pode e deve e exige e serve!

Amor, encantamento que afinal resiste
A esperança maior, a sensação mais grata.
Indefinido amor: que o sonho te conserve!

[Aramis Ribeiro Costa]

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Soneto dos Olhos Azuis




São como dois azuis perdidos lagos
Teus lagos olhos, mansos olhos rasos
Puríssimos azuis, dos prantos vasos
Perdidos olhos claros como lagos.

Espelham os teus olhos mundos vagos
Lagos espelham sóis azuis, ocasos
Translúcidos azuis dos meus acasos
Teus raros olhos claros, olhos vagos.

Vagueiam sobre mim teus olhos caros
Claríssimos azuis teus olhos raros
Perdidos olhos calmos como lagos.

Espelhos que refletem mundos rasos
Espelham sentimentos que são vasos
Teus olhos tão azuis... azuis... e vagos.


[Aramis Ribeiro Costa]