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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Que triste é vê-la tão perto


A saudade é dor tamanha
Que já não sei distinguir
Se é ela que me acompanha
Ou eu que a ando a seguir.

Que triste é vê-la tão perto
A face dorida e estranha…
E apenas saber ao certo
Que a saudade é dor tamanha.

No presente ou no futuro
Mesmo que a veja sorrir
Se é minha, por Deus eu juro
Que já não sei distinguir.

E nenhum calor aquece
O gelo desta montanha…
Será meu ser que a estremece
Ou ela que me acompanha?

Tento saber, não consigo!
E não chego a descobrir
Se é ela que anda comigo
Ou eu que a ando a seguir

[Maria Manuel Cid]

A minha Querida Tia Mimela

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Chamaram-me Poeta

Chamaram-me poeta....quem diria
que pode haver poetas sem poesia?..
tudo o que tenho em mim para vos dar
são pedaços de sol e de luar
colhidos ao sabor da fantasia...

São noites de tormento e solidão
são dias amassando o próprio pão
são ventos , são searas, são chaparros
são rodas a gemer de muitos carros
levando para a eira o trigo em grão...

São rouxinois cantando nas caneiras
são águas a correr nas ribanceiras
são gritos, são soluços, gargalhadas
são ecos a cair pelas quebradas
são seixos a rolar pelas ribeiras...

Chamaram-me poeta. Não sabia
mas sei que o sou, depois que neste dia
reli meus versos onde vivo inteira.
E porque vivo, eu fiz desta maneira
Poemas, dum poeta sem poesia...

[Maria Manuel Cid]


domingo, 22 de agosto de 2010

A Saudade…Saudades já não sente.


A Saudade…Saudades já não sente

Passa por ti o meu olhar, perdoa.
Vai para longe, cansado e descontente;
Sei que te dói bastante e te magoa
Porque me julgas cega ou indiferente…

Mas vejo, meu amor, vejo tão longe
Que temo de ficar onde me queres;
Invejo a solidão de qualquer monge,
Aceito a esmola que por fim me deres…

Quem dera que meus olhos alcançassem
Apenas o que fica à minha beira;
Não queria mais, senão que caminhassem
Perto de ti, seguindo a tua esteira…

Visão de louca, fumo de um cigarro,
Bruma que tapa o sol incandescente…
E no destroço a que enfim, me agarro,
A saudade…saudades já não sente.

[Maria Manuel Cid]

sábado, 21 de novembro de 2009

Verdes Campos, Verde Vida.[MªManuel Cid]-Youtube


Verdes Campos,Verde Vida...

Verdes campos , verde vida…
Toda a campina florida
Num repente escureceu
Fez-se noite em toda a parte
E porque o sonho não parte
Fiquei só, apenas eu…

Uma certeza me deste
E nela o sabor agreste
Da sina que foi traçada;
A baga do azevinho
Já nasce trazendo espinho
E morre quando pisada

E morre porque não sabe
Que alguma parte lhe cabe
De tanta coisa perdida;
Algo mais, amargo e doce,
E sempre – se mais não fosse
Verdes campos , verde vida.

Nada tenho, resta apenas
Esta roupagem de penas
Mais pobre que um pobrezinho;
Mas quando a morte chegar
Eu sei que posso voltar
Ao verde do meu caminho

[Maria Manuel Cid/Fernando Pinto Coelho]
Voz : Maria do Rosário Bettencourt