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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Intangível

 [A poeta Elly Ramos]


Intangível

Invento canções com toques suaves

Deslizam meus dedos entre notas indefiníveis
E danço no sopro de vento com os pés descalços
Entrelaço no laço de cetim do vestido branco
Imperiosos são meus movimentos
Que braços abraçam o invisível de meus pensamentos?
Rasgo-me, extravaso meus sentimentos
Mas, na matriz, jaz o intangível.

[Elly Ramos - Raros Poemas à Sua Procura, 2009, p.19]

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Para o António, da Elly Ramos


[Para o António, da Elly, 30 de Janeiro de 2009, o dia em que a minha Querida Mãe partiu]

Por vezes, pensou que estavas protegido


Uma mão, um rosto, uma palavra.


Mais que isso...


O Conforto de encostar ao peito


A Liberdade de poder chorar


E mesmo sem emitir palavras


A certeza da compreensão


Deixou a saudade


Do barulho dos objectos da cozinha


Do cheiro dos legumes da sopa


Da cor da estampa do vestido...


De olhos turvos


As mãos molhadas


Deixa os dedos escorregarem


Delineando os fios brancos


Sufocando


Os sentidos


O grito


A dor.


(foi-se parte de mim, muito ficou de ti.)




[Elly Ramos]