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sábado, 26 de novembro de 2011

JANELA


Não basta abrir a janela
para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter
filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores:
há ideias apenas.
Há só cada um de nós
como uma cave.
Há só uma janela fechada
e todo o mundo lá fora.
E um sonho do que se poderia ver
se a janela se abrisse
que nunca é o que se vê
quando se abre a janela.

[Sebastião da Gama]

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Oração de Todas as Horas

Agora
que eu já não sei andar nas trevas
não me roubes a Tua Mão, Senhor
por piedade!
Voltar às trevas não sei
e sem a Tua Mão não poderei
dar um só passo em tanta Claridade.

Pelas Tuas feridas minhas, pelas tristezas
de Tua Mãe, Jesus.
não me deixes, no meio desta Luz
de pernas presas...

Não me deixes ficar
com o Caminho todo iluminado
e eu parado e tão cansado
como se fosse a andar ...

[Sebastião da Gama]

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Pequeno poema

Quando eu nasci
ficou tudo como estava
nem homens cortaram veias
nem o Sol escureceu
nem houve estrelas a mais...
Sómente
esquecida das dores
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram
não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

[Sebastião da Gama]

Eras sempre a primeira a dar-me os parabéns, esperavas religiosamente pela meia-noite e cinco, a hora que nasci.
 Lembro, quando fiz 8 anos, estavas internada no IPO, nessa altura travavas a primeira de muitas batalhas que se seguiram até ao fim (Esta era contra o cancro da mama, tinhas 35 anos).
 Vieste de fim-de-semana de propósito, fazer a minha festa de aniversário, não querias que eu me sentisse um menino diferente dos outros.
 Grande Guerreira, que foste Querida Mãe, a minha Mãe!
Hoje não quero aniversário, morri por dentro naquele dia em que te foste.Quem sabe um dia, ainda te vou voltar a encontrar Mãe!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Meu país desgraçado...




Meu país desgraçado!...
e no entanto há Sol a cada canto
e não há mar tão lindo noutro lado.
Nem há céu mais alegre do que o nosso,
Nem pássaros, nem águas…


Meu país desgraçado!...
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?

Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé,
busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.

E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.

Alevanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclamam filhos mais robustos!

Povo anémico e triste,
meu Pedro Sem, sem forças, sem haveres!
Olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!

[Sebastião da Gama]

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Pequeno Poema

Homenagem à minha Querida e Santa Mãe(Santa sim!), que partiu no dia 30 de janeiro de 2009

Pequeno poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

[Sebastião da Gama]