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sábado, 28 de abril de 2012

O Amor Que Sinto

O amor que sinto
é um labirinto.

Nele me perdi
com o coração
cheio de ter fome
do mundo e de ti
sabes o teu nome
sombra necessária
de um Sol que não vejo
onde cabe o pária
a Revolução
e a Reforma Agrária
sonho do Alentejo.
Só assim me pinto
neste Amor que sinto.

Amor que me fere
chame-se mulher
onda de veludo
pátria mal-amada
chame-se "amar nada"
chame-se "amar tudo".

E porque não minto
sou um labirinto.

[José Gomes-Ferreira]

sábado, 21 de janeiro de 2012

O amor que sinto

O amor que sinto
é um labirinto.

Nele me perdi
com o coração
cheio de ter fome
do mundo e de ti
(sabes o teu nome)
sombra necessária
de um Sol que não vejo
onde cabe o pária,
a Revolução
e a Reforma Agrária
sonho do Alentejo.
Só assim me pinto
neste Amor que sinto.

Amor que me fere
chame-se mulher
onda de veludo
pátria mal-amada
chame-se "amar nada"
chame-se "amar tudo".

E porque não minto
sou um labirinto.

             [ José Gomes Ferreira]

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

FECHARAM A MORTE A CADEADO


Fecharam a morte a cadeado
porque não tem segredos.
Ou melhor : tem.
Os homens meteram lá a vida
para dar sentido ao silêncio
guardado nas arcas
das palavras podres
dos sótãos da noite.

Precisamos arrombá-las
sem sinalefas de sacerdote
quebrar os calafrios
das fechaduras enigmáticas
para restituir à morte
a fealdade dos cadáveres vazios.

E trazer a vida para a Terra
a mesma-outra-diferente-igual
beijos, amor, sede de novas sedes
verdadeiro princípio do mundo
criado pelos homens
sem rostos chegados de deuses.

[José Gomes Ferreira]

sábado, 19 de novembro de 2011

Ah! Se acontecesse enfim qualquer coisa!


Ah! Se acontecesse enfim qualquer coisa!
Se de repente saísse da terra um braço
e atirasse uma rosa
para o espaço!
Mas não.
Lá está o sol do costume
com a exactidão
duma bola de lume
desenhada a compasso...
...sol que à noite continua
a andar em redor
nas entranhas da lua
que é sol com bolor...
e desde que nasci
haja paz ou guerra
nunca vi outra coisa.
Ah! Como queres que acredite em ti
braço que hás-de romper a terra
e atirar uma rosa?

[José Gomes Ferreira]

domingo, 11 de setembro de 2011

Nostalgia

Longe de mim está o sonho.
Dos lugares onde existi.
Das correrias que partilhei.
Dos gestos trocados por sílabas
formas de carinho retiradas das sombras
no granito das paredes
nos passos na calçada
escutando a luz do sol
esperando gota a gota que a água refresque as palavras.

Longe de mim está a minha alma.
Nunca terei partido.
Nunca terei chegado...
Reencontro imagens de outrora.
Nem sei se existem!
Sei que partem em cada romagem ao cemitério.
São sepultadas na memória de uma nova ausência.
Uma vida desfeita em suor
suportada na saudade
no desfazer da lágrimas.

Perto de mim está a multidão.
Gemendo em lamentos invisíveis.
Suportando a descompostura da indiferença.
Neste labirinto me procuro.
Não desisto da solidão.
Atiro-me para este grosseiro ruído.
Finjo que é silêncio.


[José Gomes Ferreira]

domingo, 4 de setembro de 2011

VIVE EM CADA MINUTO

Vive em cada minuto
a tua eternidade
sem luto
nem saudade.
 Vive-a pleno e forte
num frenesim
de arremesso.
 Para que a tua morte
seja sempre um fim
e nunca um começo.

[José Gomes Ferreira]