domingo, 11 de setembro de 2011

Nostalgia

Longe de mim está o sonho.
Dos lugares onde existi.
Das correrias que partilhei.
Dos gestos trocados por sílabas
formas de carinho retiradas das sombras
no granito das paredes
nos passos na calçada
escutando a luz do sol
esperando gota a gota que a água refresque as palavras.

Longe de mim está a minha alma.
Nunca terei partido.
Nunca terei chegado...
Reencontro imagens de outrora.
Nem sei se existem!
Sei que partem em cada romagem ao cemitério.
São sepultadas na memória de uma nova ausência.
Uma vida desfeita em suor
suportada na saudade
no desfazer da lágrimas.

Perto de mim está a multidão.
Gemendo em lamentos invisíveis.
Suportando a descompostura da indiferença.
Neste labirinto me procuro.
Não desisto da solidão.
Atiro-me para este grosseiro ruído.
Finjo que é silêncio.


[José Gomes Ferreira]