sábado, 5 de novembro de 2011

Sonho

Falo-te dum sonho
Daquele que tantas vezes tenho.
Dispo a ansiedade
Desapertando
Botão a botão
Desejos insaciáveis
Até ficar despida, um instante…

Aliso o leito
Aquele mar por ti amado.
Com ele me cubro
Apagando a luz da realidade
Deixando apenas acesa
A lua da imaginação…

Agora, fecho os olhos.
Não há tempo, distância, matéria…
De mim só existe a alma
Coberta por um mar de mil cores
Que não te explico
Que conheces
Bem melhor do que eu.

Assim fico
Escrevendo esta quase imitação de carta
Tão sem tempo!
Tenho frio!
Tardas!

Eis senão quando
Quase no fim do horizonte
Onde o teu mar abraça a minha lua
Vejo uma ave voando
E  que  num bailado único
Raiado de verde e de azul
De mim se aproxima
À minha alma se dirige.

Quase não me mexo…
(e tão ansiosa me sinto!)
Para que de mim se não desvie
O voo daquela ave.
Levanto a ponta do mar
Preparo um espaço
Uma praia
Neste leito onde estou
E peço a Deus
Que o bater do meu coração
A não afugente…

Percebo que és tu!
Ainda assim
Fico-me neste aparente sossego…
Sobrevoas-me
Sem um bater de asas
Acabando por pousar
No areal imenso que para ti preparei.
Que mais dizer?
Calar este meu desejo?
Afinal havia tempo!
E é desse tempo que te falo.

Desvendo agora o meu segredo:
Do meu corpo me distanciei
Para que na minha alma pousasses.
Agora estás em mim!
Sobe pelo meu corpo
E deixa que no teu
O meu se derrame…
Fiquemos assim
Tendo como limite
O espelho do nosso encontro:
Um mar, uma lua, uma brisa…

Falei-te dum sonho.
Foi meu
Talvez teu
Mas agora é nosso!
Completou-se o triângulo:
Um vértice – Tu!
Outro – o Mar!
O último – Eu!

[Cristina Miranda]

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