domingo, 5 de setembro de 2010

Passamos pelas coisas sem as ver (Eugénio de Andrade)


Passamos pelas coisas sem as ver

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

[Eugénio de Andrade]

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