Quando a flor da água não for superfície
Nem for outra cor para a flor do fundo
Quando a sombra der de si mesma indício
Quando um lírio for de si mesmo oriundo
Quando os astros forem a luz que os anima
E as rosas iguais ao que são por fora
E a forma do corpo florir na retina
Subida do peso carnal que a demora
Quando um rouxinol for no próprio canto
Vibração da sua mais longínqua era
Quando as violetas não forem o espanto
De se transformarem para a primavera
Quando uma laranja comer um rapaz
Em vez desta fome disposta ao contrário
Quando for o mesmo à frente ou atrás
Quando estar sentado for imaginário
Quando uma donzela não for colorida
E a terra a medida dum corpo no chão
E a morte não for outro nome para a vida
E a vida esta grande falta de razão:
Quando uma cidade for “A Conseguida”
Porque uma cigarra tem opinião
Quando dar a mão não for despedida
E um gesto não for o exílio da mão…
[Natália Correia]

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